Medicamentos

Como organizar os medicamentos de uma pessoa idosa

Um método simples para manter os remédios de quem é cuidado em casa organizados, registrados e legíveis por todo mundo que participa do cuidado.

Equipe Amparus6 min de leitura

Quase toda família que cuida de uma pessoa idosa em casa passa pela mesma cena: alguém pergunta se o remédio da pressão foi tomado, e a resposta demora, ou vem de memória, ou não vem. Não é descuido. É que a informação sobre os medicamentos costuma estar espalhada — uma parte na caixa, uma parte na receita guardada, uma parte na cabeça de quem esteve lá.

Este texto trata da organização dos medicamentos: como manter a informação em um lugar só e legível por todo mundo. Ele não trata de qual remédio tomar, em que dose ou em que horário — isso é decisão do médico que prescreve, e de mais ninguém.

Qual é a melhor maneira de organizar os medicamentos?

A melhor maneira é a que sobrevive à troca de pessoas. Um sistema que só funciona quando uma pessoa específica está presente não é organização, é dependência.

Na prática, isso significa três coisas:

  1. Uma lista única. Um lugar só onde estão todos os medicamentos em uso, atualizado. Não duas listas, não uma no papel e outra no celular de alguém. Duas listas viram, mais cedo ou mais tarde, duas versões diferentes da verdade.
  2. Um lugar físico só. Todas as caixas juntas, em um ponto fixo da casa, longe de umidade e calor. Remédio espalhado pela casa é remédio que alguém vai achar que acabou quando não acabou.
  3. Um registro do que foi tomado. A lista diz o que deveria acontecer. O registro diz o que aconteceu. São coisas diferentes, e a pergunta que a família faz às três da tarde é sempre sobre a segunda.

A caixa organizadora semanal, com divisórias por dia e por período, resolve bem a parte física. O que ela não resolve é a pergunta à distância: quem não está na casa não consegue olhar dentro da caixa.

Quais informações precisam estar registradas?

Para cada medicamento em uso, vale ter anotado:

  • o nome exatamente como está na caixa, incluindo a concentração;
  • a quantidade e o horário conforme a prescrição;
  • quem prescreveu e quando;
  • para que serve, na linguagem que a família usa (o "da pressão", o "da tireoide") — é assim que a informação é falada em casa;
  • como tomar, se houver instrução específica na receita;
  • até quando, quando for um tratamento com prazo definido.

Essa última linha é a mais esquecida e uma das mais importantes. Medicamento com prazo que ninguém anotou tende a virar medicamento de uso contínuo por inércia.

Vale também guardar uma foto da receita junto da lista. Na consulta seguinte, a pergunta "quem passou isso e quando?" tem resposta imediata.

Como organizar quando existem vários cuidadores?

Quando duas ou mais pessoas se revezam, a organização precisa responder a uma pergunta a mais: o que já foi feito antes de eu chegar?

Algumas combinações que funcionam:

  • Registrar na hora, não no fim do plantão. O registro feito de memória, três horas depois, é onde os erros entram.
  • Registrar quando não deu certo, também. Se a pessoa recusou, se cuspiu, se estava dormindo no horário — isso é informação clínica relevante e costuma ser exatamente o que se deixa de anotar, por parecer uma falha pessoal. Não é.
  • Combinar quem atualiza a lista. Quando o médico muda alguma coisa, uma pessoa fica responsável por atualizar a lista única. Se todo mundo pode mudar, ninguém confere.
  • Passar o plantão pelo registro, não pela conversa. A conversa na porta é boa, mas some. O registro escrito é o que a próxima pessoa consegue consultar às duas da manhã.

Quais erros devem ser evitados?

  • Mudar dose ou horário por conta própria, mesmo com boa intenção e mesmo em caso de sintoma. Qualquer mudança passa por quem prescreveu.
  • Confiar na memória de uma pessoa só. A memória é boa até o dia em que essa pessoa fica doente, viaja ou sai do trabalho.
  • Deixar as caixas com nomes parecidos juntas sem separação clara. Nomes de medicamentos se parecem, e o momento de administrar costuma ser o momento com mais coisa acontecendo ao mesmo tempo.
  • Não anotar o que sobrou. Sem noção de estoque, a farmácia vira urgência de domingo.
  • Manter na lista o que foi suspenso. Remédio suspenso que continua na lista é o erro mais silencioso da casa — e é o que o médico vai ler na consulta seguinte se ninguém apagar.

Quando procurar orientação profissional?

Sempre que a dúvida for sobre o que tomar, quanto tomar ou quando tomar. Isso não é matéria de organização, é conduta clínica.

Procure quem prescreveu — ou um farmacêutico, para dúvidas sobre a apresentação e o armazenamento do medicamento — nestas situações:

  • a pessoa apresentou uma reação depois de começar um medicamento novo;
  • um horário foi perdido e não está claro o que fazer;
  • dois medicamentos diferentes foram prescritos por médicos diferentes, e ninguém revisou a lista inteira junto;
  • a pessoa tem dificuldade para engolir o comprimido, ou está cuspindo;
  • a lista passou de alguns itens e nunca foi revisada por inteiro em uma consulta.

Em caso de emergência, ligue 192 (SAMU).

Perguntas frequentes

Posso usar uma caixa organizadora semanal?

Sim, é um recurso comum e prático para a parte física. Ele resolve "o que tomar agora" para quem está na casa. O que ele não resolve é o registro: quem não está presente não tem como saber se o compartimento foi esvaziado no horário certo ou duas horas depois. Os dois se complementam.

Como faço a lista se a pessoa toma muitos medicamentos?

O número de itens não muda o método, só aumenta a importância dele. Leve a lista completa — impressa ou no celular — na próxima consulta e peça uma revisão do conjunto. É a única maneira de o médico enxergar tudo o que está em uso ao mesmo tempo, incluindo o que foi prescrito por outros profissionais.

E os medicamentos que não precisam de receita?

Entram na lista igual. Do ponto de vista de quem vai avaliar o quadro, um item comprado sem receita é um item em uso, e precisa estar visível na mesma lista que o resto.

Quem deve poder ver essas informações?

Quem participa do cuidado e precisa delas para cuidar: os familiares envolvidos, a pessoa cuidadora e o médico. E a própria pessoa cuidada, sempre — são informações dela.

Referências

Este é um texto de organização do cuidado, não de conduta clínica, e por isso não cita estudos. Para informação oficial sobre medicamentos e sobre saúde da pessoa idosa, consulte as fontes públicas brasileiras e internacionais:

Dúvidas sobre um medicamento específico devem ser levadas a quem prescreveu ou a um farmacêutico.

Sobre este texto

Equipe Amparus

Equipe editorial da Amparus

A equipe que constrói a Amparus, um aplicativo para organizar o cuidado de pessoas idosas em casa. Escrevemos sobre organização do cuidado — a parte prática de combinar, registrar e acompanhar — e não sobre conduta clínica.

Texto de organização do cuidado, sem revisão clínica. Não traz conduta médica, dose, diagnóstico nem recomendação de tratamento.

Publicado em

Este conteúdo não substitui a orientação de profissionais de saúde. Em caso de urgência, ligue 192 (SAMU).

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